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7 de jun. de 2010

0014. Yes - Yes [1969]


Um excelente debut de uma das mais famosas bandas de rock progressivo. Eu acho incrível a química que essa banda tem. Prestando atenção em cada instrumento, separadamente, você vê o virtuosismo de cada músico, mas mesmo assim não fica aquela coisa maçante em que algumas bandas do gênero pecam em fazer: todo mundo masturbando o instrumento pelo bem da masturbação. Todos os integrantes/instrumentos contribuem particularmente para o todo, e se tirar uma dessas partículas, o todo se esvai. Eu achava que isso fosse apenas com a formação clássica da banda (com Steve Howe na guitarra e Rick Wakeman nos teclados), mas ouvindo este disco percebe-se que mesmo nessa primeira formação (com Peter Banks na guitarra e Tony Kaye nos teclados) já havia essa química.

A voz suave de Jon Anderson (que, acredito eu, tenha influenciado grande parte dos falsetes dos anos 70) é uma das mais confortantes da música popular. Ainda temos um cover dos Beatles, enquanto Beatles existia; um cover jazzístico dos Byrds, com citação de Bach no solo de guitarra; e um ótimo desfecho, que eu considero uma das melhores músicas deles, mesmo estando num álbum considerado "menor". Enfim, rock progressivo sessentista, ainda sem aquela ambição épica que se propagaria nos anos 70.

TRACKLIST

01. Beyond and Before
02. I See You
03. Yesterday and Today
04. Looking Around
05. Harold Land
06. Every Little Thing
07. Sweetness
08. Survival

~ Link: Yes - Yes [1969]

10 de mai. de 2010

0012. Charles Mingus - The Black Saint and the Sinner Lady [1963]


Absolutamente intenso. Eu diria que é uma das melhores transposições do sentimento da desolação em formato de música. E, claro, uma das melhores orquestrações do mundo do jazz.

Das orquestras de Duke Ellington; do jazz vanguardista da época; e do flamenco espanhol, Mingus retirou suas influências pra compor este ballet de seis partes. Seu perfeccionismo levou o disco a ser o primeiro de jazz a ter a técnica de overdub. A riqueza de timbres, complexidade de ritmos, estranheza causada por dissonâncias, estilização étnica, são na verdade indescritíveis, tornando tudo o que eu tô escrevendo aqui superficial.

Pois só ouça e sinta:

TRACKLIST

01. Track A - Solo Dancer
02. Track B - Duet Solo Dancers
03. Track C - Group Dancers
04. Mode D - Trio and Group Dancers / Mode E - Single Solos and Group Dance / Mode F - Group and Solo Dancer

~ Link: Charles Mingus - The Black Saint and the Sinner Lady [1963]

3 de mai. de 2010

0004. The Beach Boys - Pet Sounds [1966]


O álbum que definiu o resto dos anos 60. Ponto. Beatlemaníacos irão me crucificar e evocar esse título para o Rubber Soul (até porque Pet Sounds foi influenciado pelo álbum lançado um ano antes pelos Beatles); ou poderia-se dizer que os dois álbuns lançados pelo Bob Dylan em 1965 já traz elementos importantes para as maluquices de 1966 em diante, mas menos na sonoridade do que nos conceitos. Bem, eu diria que esses discos ainda são bem tímidos e que Pet Sounds implodiu tudo o que foi posto nessas experiências anteriores. É um daqueles álbuns onde cada canção é tão rica em detalhes que você não quer nada além do silêncio externo à música, pra não perder um segundo sequer das composições. Melodias grudentas, harmonias vocais, arranjos orquestrais, experimentos de estúdio... Meldels, Brian Wilson.

Só pra terminar: "Sgt. Pepper's foi uma tentativa de igualar Pet Sounds" (George Martin, produtor dos Beatles).

TRACKLIST

01. Wouldn't It Be Nice
02. You Still Believe in Me
03. That's Not Me
04. Don't Talk (Put Your Head on My Shoulder)
05. I'm Waiting for the Day
06. Let's Go Away for Awhile
07. Sloop John B
08. God Only Knows
09. I Know There's an Answer
10. Here Today
11. I Just Wasn't Made for These Times
12. Pet Sounds
13. Caroline, No

~ Link: The Beach Boys - Pet Sounds [1966]